A partir de 2026, o abono salarial do PIS e do Pasep passará por mudanças que vão afetar diretamente milhões de trabalhadores em todo o país. A principal alteração está no limite de renda, que define quem pode ou não receber o benefício. Com a nova regra, a tendência é que, ano após ano, menos pessoas tenham acesso a esse dinheiro extra.
O que muda nas regras do abono salarial
Até o ano passado, tinha direito ao abono quem ganhava até dois salários mínimos no ano-base. Esse valor aumentava sempre que o salário mínimo era reajustado. Na prática, o teto acompanhava os ganhos reais do mínimo.
Com a nova regra, isso deixa de acontecer. A partir de agora, o limite de renda será reajustado somente pela inflação, medida pelo INPC. Ou seja, não haverá aumento real ligado ao crescimento da economia.
Na primeira fase dessa mudança, o teto passou para R$ 2.765,93. Esse valor foi calculado aplicando a inflação de 2024, que foi de 4,77%, sobre dois salários mínimos de 2023, que somavam R$ 2.640,00.
Essa adaptação não acontece de uma vez. O processo segue até 2035, quando o limite final será de 1,5 salário mínimo. Segundo estimativas oficiais, cerca de 3 milhões de trabalhadores devem deixar de receber o abono até 2030 por causa dessa nova regra.
O valor do benefício continua o mesmo?
Sim. O valor pago a quem tem direito não muda na forma de cálculo. Ele continua sendo baseado no salário mínimo do ano do pagamento. Em 2026, o abono será calculado com base no salário mínimo atual, de R$ 1.621.
O que muda é apenas quem pode receber, não quanto será pago para quem se enquadrar nas regras.
Como saber se vai receber o abono em 2026
A consulta pode ser feita de forma simples, usando o celular. O trabalhador deve acessar o aplicativo Carteira de Trabalho Digital, disponível para Android e iOS.
Depois de entrar com CPF e senha do Gov.br, basta acessar a área de Benefícios e clicar em Abono Salarial. O sistema informa se a pessoa está ou não habilitada para receber.
Regras para ter direito ao abono salarial
Além do novo limite de renda, as demais exigências continuam as mesmas. Para receber o abono, o trabalhador precisa:
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Ter pelo menos cinco anos de cadastro no programa
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Ter trabalhado com carteira assinada por, no mínimo, 30 dias no ano-base
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Estar dentro do limite de renda definido para o período
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Ter os dados corretamente informados pelo empregador na RAIS ou no eSocial
Se alguma dessas informações estiver incorreta ou incompleta, o pagamento pode não acontecer.
Como é feito o cálculo do abono
O valor do abono é proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base. Cada mês conta se houver pelo menos 15 dias trabalhados.
Por exemplo, se o trabalhador atuou por oito meses no ano-base e recebeu até R$ 2.765,93, o cálculo será:
R$ 1.621 ÷ 12 × 8
Quanto mais meses trabalhados, maior será o valor recebido, até o limite de um salário mínimo.
Calendário de pagamento do PIS/Pasep em 2026
O pagamento segue o mês de nascimento do trabalhador:
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Janeiro: 15 de fevereiro
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Fevereiro: 15 de março
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Março ou abril: 15 de abril
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Maio ou junho: 15 de maio
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Julho ou agosto: 15 de junho
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Setembro ou outubro: 15 de julho
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Novembro ou dezembro: 15 de agosto
Se a data cair em feriado ou fim de semana, o pagamento ocorre no próximo dia útil.
De acordo com o governo, os reajustes do salário mínimo acima da inflação fizeram com que o abono alcançasse faixas salariais que não estavam previstas no desenho inicial do benefício. Com a nova regra, a proposta é concentrar os recursos em quem realmente precisa e reduzir os gastos públicos.